martedì 15 settembre 2015

Para ler devagar


Do silêncio nasce a palavra. O nada gera o tudo. Depois de tudo não há nada.

É o silêncio que faz o verbo, o motor do mundo, fazedor do tempo, raiz de cada ato. Pelo silêncio nascem os substantivos, pontos firmes existenciais, acompanhantes, transformados e transformantes do verbo. São quase tão eternos quanto o nada!

Por amor ao tudo nascem os adjetivos, carinhosas vestes, cores às íris dos nomes...

E para tecer todos os significados, como perfume para as personalidades tantas, nascem os pronomes, as vírgulas, exclamações e pontos finais.

O que somos nós no grande texto do significado da existência humana, que hora se julga eterna, ora se reconhece temporal?

Mesmo lendo rápido, há silêncio em cada partícula, pausas vazias que superabundam milagrosamente cada frase, separando-as e unindo-as, porque tudo o que não é deseja ser, e tudo o que é tem saudade de quando não foi.

Acredito no nada, no tudo, naquilo que já foi e no que ainda não é, e naquilo que une todas essas coisas transformando-as em uma só.

Pequeno verbo, palavra solta, interjeição. Não importa! Sei que de alguma forma estou unido no imenso livro da vida. Nossa vida.

E o leremos algum dia às gargalhadas, aos prantos, assustados e divertidos, emocionadamente, como o espectador atento do melhor dos filmes.

lunedì 27 luglio 2015

Trocando metáforas (ou sobre o verde-mar do nosso olho)



 Pra quê ser piscina, se até o amor, enquanto verbo, tem mar no nome?
 Poderíamos mergulhar, velejar ou só molhar os pés, dependendo da maré e da cor do dia!
 Poderíamos e podemos, hoje mais que ontem, surfar jacarés, colher estrelas, catalogar os corais e as suas cores, medir a salinidade dos oceanos dos nossos dias, ou encenar o melhor do Titanic em cima de um barquinho velho. Que em nós, pirata seja mesmo só fantasia...
  E se nos perguntarem se temos medo de morte molhada, sejamos francos, temos sim! Mas sabemos que pior ainda é morte seca, no chão de concreto de quem sentiu e não tentou.
  O mar corre no nosso sangue e transborda nos olhos, e que assim seja!

venerdì 10 aprile 2015

Sou breve

Brevidade, peito aberto, poema de um verso só.

Thaumazein


Verdade seja dita: a abstração me fascina, tudo o que transcende, transborda a superfície, a luz e o som.
O verde filosófico dos brócolis, o sabor irresistível do espinafre misturado com mil e outros ingredientes (gordurosos até)!
E a surpresa dos dias quentes, claros, laranja-vermelho-pálidos no girar do sol.
E o filtro – solar ou digital ou das lentes dos óculos escuros – que nos mostra tudo mais vivo...
Um sábio me sugeriu hoje: é possível parecer e ser.
Pareço e sou, ora não, Thaumazein.