Do silêncio nasce a palavra. O nada gera o tudo. Depois de tudo não há nada.
É o silêncio que faz o verbo, o motor do mundo, fazedor do tempo, raiz de cada ato. Pelo silêncio nascem os substantivos, pontos firmes existenciais, acompanhantes, transformados e transformantes do verbo. São quase tão eternos quanto o nada!
Por amor ao tudo nascem os adjetivos, carinhosas vestes, cores às íris dos nomes...
E para tecer todos os significados, como perfume para as personalidades tantas, nascem os pronomes, as vírgulas, exclamações e pontos finais.
O que somos nós no grande texto do significado da existência humana, que hora se julga eterna, ora se reconhece temporal?
Mesmo lendo rápido, há silêncio em cada partícula, pausas vazias que superabundam milagrosamente cada frase, separando-as e unindo-as, porque tudo o que não é deseja ser, e tudo o que é tem saudade de quando não foi.
Acredito no nada, no tudo, naquilo que já foi e no que ainda não é, e naquilo que une todas essas coisas transformando-as em uma só.
Pequeno verbo, palavra solta, interjeição. Não importa! Sei que de alguma forma estou unido no imenso livro da vida. Nossa vida.
E o leremos algum dia às gargalhadas, aos prantos, assustados e divertidos, emocionadamente, como o espectador atento do melhor dos filmes.
